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sábado, 3 de setembro de 2011

DA EXPOSIÇÃO " OCUPAÇÃO DO ATELIÊ DE MANOEL DA COSTA ATAÍDE" DE JÚLIO COELHO PARA AS SALAS DE AULAS DE ARTES VISUAIS

Ao longo do mês de setembro mês, o artista plástico ouro-pretano Júlio Coelho, expõe série de novas telas no restaurante Bené da Flauta, em Ouro Preto.


Restaurante Bené da Flauta em Ouro Preto

Restaurante Bené da Flauta em Ouro Preto

ição integra a programação da 3ª Jornada Mineira do Patrimônio Cultural, uma iniciativa da Secretaria de Estado de Cultura, levada a cabo pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha – MG), que, desde 2009, incentiva ações relacionadas à preservação e divulgação do Patrimônio Cultural.

A partir do tema “Quando a minha história conta a história de todos”, o artista propõe a ocupação da casa onde funciona hoje o restaurante, mas que, no século XVIII, possivelmente entre os anos de 1790 a 1812, abrigou o ateliê-escola de Manuel da Costa Ataíde, reconhecidamente o maior pintor da arte setecentista mineira. Nesta época, Ataíde trabalhou ao lado de Antônio Francisco Lisboa, Aleijadinho, na construção da Igreja São Francisco de Assis, considerada obra-prima do rococó mineiro.




Interior do imóvel


Júlio Coelho está oito grandes telas, criadas e especialmente pintadas para a ação cultural da referida Jornada Mineira de Patrimônio C Eiultural.

Júlio Coelho

Júlio Coelho


Júlio Coelho


Júlio Coelho


Júlio Coelho


Júlio Coelho


Júlio Coelho


Júlio Coelho


O artista plástico Júlio Coelho, segundo depoimento dom mesmo, para a produção das referidas telas realizou divesas visitas 'in loco: “Visitei São Francisco de Assis para apreciar o famoso forro da nave da igreja, obra-prima de mestre Ataíde... sua paleta de cores e as feições brasileiras dos anjos e da Madona”,

IMAGINÁRIA RELIGIOSA DE MINAS NAS AULAS DE ARTES DE ARTES VISUAIS EM MINAS



Os CONGRESSOS  do CEIB - Centro de Estudos da Imaginária Brasileira são importantes eventos de contrução do conhecimento sobre a temática Imaginária Religiosa em Minas, bem como do Brasil. Vale a pena conferir os ANAIS produzidos pelos mesmos, acompanhar a produção acadêmica e levá-la para dentro das nossas salas de aulas de Artes Visuais em toda a Minas Gerais.

Segundo ARANTES CAMPOS em "Introdução ao Barroco Mineiro", pode-se assinalar características gerais da imaginária barroca. Deves-se assinalar, inicialmente, que na primeira metade do século XVIII, atuaram muitos artistas portugueses. Por volta de 1770 surge uma produção regional com características peculiares. Há um afastamentos dos modelos portugueses e litorâneos. Nas Minas gerais ocorrem influências diversas, desde obras eruditas às de fatura popular, resultando dessa amálgama combinaçoes diversificadas e singulares.

Como características formais a autora enumera:
- uso de diagonais na composição, gerando massas assimétricas;
- o panejamento movimenta-se, progressivamente, afastando-se do corpo;
- teatralidade e emoção nos gestos, o cabelo agita-se asumindo penteados complicados;
- policromia com tons fortes (marrons, verdes, vermelhos e azuis) e farto douramento.

Numa fase posterior, ao evoluir para o Rococó (de cerca de 1760 ao 1o quartel do século XIX) a autora destaca:
- uso absoluto de diagonais, assimetria, leveza, afetação e galanteria;
- panejamento com arestas bem marcadas, movimentos amplos, poucos detalhes;
- cabeleiras esvoaçantes, com volutas, tranças e laços;
- nas peanhas das virgens, a presença de querubins colocados de forma desarrumada;
- colorido vivo, emprego de rosinhas de Malabar, diminuição do douramento;
- surgimento dos oratórios em pedra talcita.

Para RAMOS é no 3o quartel setecentista é que surge uma estatuária autenticamente mineira, executada por uma geração de artistas influenciada pelas obras dos escultores do período anterior,mesclada com a criatividade expressionista. É o momento do surgimento de Aleijadinho e Servas.






Destacando que para RIBEIRO

[...] Uma breve avaliação da localização geográfica dos escultores e oficinas revela que todos se situam dentro dos limites das antigas Comarcas de Ouro Preto e do Rio das Velhas, em uma espécie de quadrilátero central com pontos extremos em torno das antigas vilas coloniais de Sabará e Santa Bárbara ao norte, e Congonhas e Guarapiranga, no vale do Rio Piranga ao sul. Portanto, grosso modo, é possível circunscrever nessa área uma influência mais direta de Antônio Francisco Lisboa nos imaginários locais, excluídos, evidentemente, os escultores portugueses imigrantes, como Francisco Vieira Servas. Essa influência curiosamente, não se verifica nos escultores da comarca do Rio das Mortes, revelados no inventário e em trabalhos recentes de pesquisadores da região, que, em conjunto, formam uma espécie de subescola regional da imaginária mineira, desenvolvida a partir de São João del-Rei e Tiradentes e com ramificações no Sul de Minas.(OLIVEIRA, 2005, p. 25)

Fontes